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Estar no mundo, mas não pertencer a ele...

Estar no mundo, mas não pertencer a ele...

Um velho sufista PenaBranca* cavalgava em cima de seu burrico há semanas pelas cidades, deixando valiosos ensinamentos espirituais, filosóficos por onde passava. Estava exausto, cansado, quando viu uma pequena taberna e resolveu entrar e perguntou ao dono da loja:

- Você já me viu antes?
- Não. Responde o comerciante.
- Então, retruca PenaBranca, como você sabe que sou eu?

No mesmo instante, um bêbado que estava sonolento sentado na mesa responde...

- Essa é fácil! Manda outra!
Nós só existimos dentro do outro. E abriu um singelo sorriso banguela.

E o nerd, com uma caneca cheinha de café, desperado em acumular cada vez mais bits, vai em seu acervo de 3 mil ebooks, muito bem organizados em pastas, subpastas,
foi até Filosofia Hermética, gostava muito, pois isso não era discutido nas faculdades, abriu o arquivo Kaibalion, e sintetizou , sentiu, intuiu, recortou e colou ...

“O Todo é mente, o Universo é mental”

Este princípio contém a verdade que tudo é Mente. Explica que o Todo (que é a realidade substancial que se oculta em todas as manifestações e aparências que conhecemos sob o nome universo material, energia cósmica, energia pura, matéria, Deus,etc.) é incognoscível e portanto indefinível, mas pode ser considerado como uma mente vivente, infinita. Ensina também que todo o mundo fenomenal ou universo é simplesmente uma criação mental do Todo, em cuja mente vivemos e temos a nossa existência. Este Princípio estabelece a Natureza Mental do Universo, explica todos os fenômenos mentais e psíquicos que ocupam grande parte da atenção pública, e que sem tal explicação, seriam ininteligíveis e desafiariam o exame científico. A compreensão deste princípio hermético de Mentalismo habilita o indivíduo a abarcar prontamente as leis do Universo Mental, apesar de empregá-la de maneira casual.





*As Maltas eram grupos de capoeiras do Rio de Janeiro que tiveram seu auge na segunda metade do século XIX. Compostas principamente de negros e mulatos (os brancos também se faziam presentes), as maltas aterrorizavam a sociedade carioca
. Serviam para delimitar territórios dos Senhores. Houve várias maltas: Carpinteiros de São José, Conceição da Marinha, Glória, Lapa, Moura entre outras. No período da Proclamação da República, havia duas grandes maltas, os Nagoas e os Guaimums. Penabranca era o principal destaque das Maltas, não se sabe de qual fazia parte. Ao ser contrário a República, conta a lenda que fora derrubado por 20 homens.
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Um instante passageiro

Um instante passageiro

Clarice, abre o chat aí para eu te contar uma história, fiquei esses dois dias sem entrar na Internet, pois aconteceram coisas neles, que valeram por mil!!

Acabei de acordar de um sonho muito doido! Fui comer um pedaço de pão com café, refleti sobre tudo que me aconteceu e respirei fundo e tentei colocar em ordem todo o caos causado nessas 48 horas. Preste atenção em tudo que vou te contar, pois é a mais pura verdade!

Na sexta feira, fui a faculdade como de costume. Nesse dia eu tinha que fazer uma prova de Desenho Industrial, estava fazendo um calor, eu estava com uma baita vontade de ficar em casa. Mas não podia faltar e atrasar todo um semestre. Ao terminá-la, fui ao refeitório, coloquei minha comida: saladas, arroz integral e fui procurar um lugar para me sentar. Encontrei um ao lado de um rapaz . Ao começar a comer, ele me provoca e diz que toda a comida a partir de agora é geneticamente modificada. No momento aquela afirmação me causou um enorme espanto, até porque me tornei vegetariana, você sabe, e associei uma situação a outra. Fiquei curiosa, e continuamos a conversar, foi então quando ele me disse: "Pense, estamos na Terra, TERRA!!" Falou sorrindo. Aliás não parava de sorrir, ironicamente me respondeu: "Quem controla e produz as sementes, brinca na Terra!" Um silêncio se fez, que nó no estômago! Parei, olhei para o fundo dos seus olhos, pareciam ser sinceros, seu sorriso me conquistou.

Fiquei o observando quando foi se levantar para jogar a bandeja fora, olhando seu andar desengonçado, um hominídeo um tanto cabeçudo! Rs! Mas se você o observasse com atenção nos pequenos detalhes e nos seus gestos, perceberia uma beleza de tamanha simplicidade. A meu ver, um caboclo perdido na faculdade. Vestindo uma camisa com as letras GHERS. Perguntei o que significava, ele prontamente respondeu, dizendo que também tinha suas sementes. E que assim elas eram chamadas. Retruquei-o perguntando o que elas produziam..." Respostas." Assim me respondeu.

Uma coisa esse rapaz conseguia me deixar: curiosa. A cada vez que ele pouco falava, mais aumentava a minha vontade de lhe encher de perguntas: de onde ele era, o que ele fazia? Mas no meu peito eu sabia que aquilo tudo era desnecessário, e só seria perda de tempo. Logo era me jogar no vazio, e ver o que iria dar... "Tem essas sementes aí?!" O intimei. "Tenho sim." Falou comigo olhando dentro dos meus olhos. Tirou da sua bolsa uma semente verde, um pouco maior que um grão de feijão, e me explicou que eu deveria colocá-la num copo com água de uma maneira que ela recebesse a luz da lua, fizesse uma profunda oração com muita fé, e assim, teria uma boa colheita. Deu mais um sorriso irônico: "Aproveita, pois amanhã é lua Cheia."

No jardim do campus de Psicologia, não sei o que me deu, um calor, uma chama brotava dentro de mim, sabia que só existia aquele instante passageiro, e num ato de loucura nos abraçamos e nos beijamos tão intensamente como se o tempo tivesse parado, tudo girava ao meu redor, como numa imensa espiral, podia sentir o meu coração batendo tão fortemente, que sua batida vibrava transcendendo os limites do meu corpo e se chocando na mesma frequência das ondas que vinham da direção do coração dele! Literalmente dava choque! Rs! O chão simplesmente desabou! Um olho se abriu no meio do furacão! Seus braços me abraçando, pareciam uma enorme serpente enroscada no meu corpo me apertando , quase me sufocando, mordendo o próprio rabo. Que sensação ! E foi só. Nos despedimos, eu ainda o forcei, lhe perguntando por quê? Ele apenas me dissera que já estava tarde. Acenou pra mim, virou as costas e se dissipou no espaço. Voltei para casa de ônibus naquele dia como se estivesse num transe, não pensava em nada, apenas existia. Algo dentro de mim me dizia que eu deveria fazer o que aquele estranho rapaz me indicara. E fiz: coloquei a semente dentro do copo cheio d’água na janela do meu quarto, sentei em minha cama, acendi uns incensos e umas velas, e fiz meu retiro espiritual. Após isso, caí num profundo sono.

No sábado, o dia amanheceu lindo, acordo com os amigos da faculdade me ligando, convidando para curtir uma praia. Chego lá, consigo me divertir, pois adoro o mar, seu cheiro, as ondas, mas aquele encontro no refeitório me desconcentrava. Na roda de conversa, todos fazendo comentários sobre a prova, ou reclamando da burocracia cotidiana, enquanto isso, eu longe, bem longe com meus pensamentos...

Ao chegar em casa distraída, ligo o computador, tomo o meu banho, faço um lanche, já deitada na cama, olho para janela do meu quarto e vejo em cima do copo uma linda flor amarela!! Instintivamente a devoro! Agora refletindo, não sei por que fiz isso!? Não importa! Acontece, só sei que eu deitei na cama e peguei no sono. Comecei a sonhar que eu podia voar! E voei, voei para bem alto, perto das estrelas. De onde eu estava podia ver a Terra tão pequena como uma semente azul. Mas eu queria voar, voar para mais alto, e vi lá do alto, uma imensa aranha, tecendo enorme teias , todas interligadas, com diversas outras sementes, e com outras aranhas! Era A visão! Um gigante sol vermelho - amarelado brilhava na imensidão... Um touro, um leão, um enorme escorpião... O firmamento aos meus pés, de repente, uma corrente com uma bola de chumbo agarra no meu tornozelo, e eu começo a cair, cair... Até chegar no meu quintal quando ainda era criança. Lá eu vejo meus avós já falecidos, tenho a sensação de vê-los como árvores, antigas, belas árvores com enormes raízes fincadas na terra. Sentada no quintal, tudo parecia fazer sentido, tudo era tão iluminado! As relações da vida, fatos marcantes, os meus pais, o porque deles serem meus pais, a minha escola, por que naquele dia havia batido de carro, e não pude ir na festa, por que me sinto tão sufocada no curso em que escolhi, por que eu terminei com ele, e por que me esbarrei com ele! Passei a entender que todos éramos sementes que foram jogadas na Terra, por alguém que criou as sementes. Assim como frutos os homens geram suas sementes, e nós as mulheres a fecundamos. As sementes para crescer precisam buscar a luz. Essa era a batalha. O parto, o renascimento. Pois na escuridão da noite podemos ver o brilho das estrelas, sementes da agricultura celeste! Logo, existem árvores enormes, com belas flores e frutos, assim como existem plantas rasteiras gramíneas, desde plantas venenosas a plantas que curam. Minhocas, formigas...

Tudo que pode ser imaginado existe. Tudo faz parte do Todo. Tudo é necessário. E que todas as sementes, são partes da mesma semente, inclusive de quem as criou. A grande SER MENTE. Um árvore que quisesse que suas copas alcançassem os céus, deveria fincar suas raízes no mais profundo da terra. Assim um tronco bem forte é criado para suportar diversos verões, invernos, outonos e primaveras. As rachaduras são marcas que só o tempo pode trazer. Sem jamais reclamar, fazendo o mistério da transmutação : fotossíntese, e oferecendo uma bela sombra a quem precisasse descansar. Ao estar madura, frutos saborosos geraria. E quando chegasse o dia dessa árvore cair, ela serviria de adubo para Terra. Me vi como uma árvore. Me vi caindo. Nesse momento acordei. Olhei para o lado, lá estava o copo cheio d’água apenas. Eu me pergunto? Tudo isso aconteceu? Era um sonho dentro de um outro sonho? Tentar encontrar informações do rapaz é inútil. Mas eu estava lúcida! O beijo aconteceu! E eu entendi. Vivi. Agora quem será ele? Um gnomo, um bruxo? Não sei. Talvez não queira que as pessoas percebam que ele já não possui mais um reflexo no espelho. Não sei, nem quero saber! O que realmente importa é a nova inspiração que eu tenho para viver. Algo em mim simplesmente mudou. Me parece que só existe o agora, que devemos ser responsáveis pelas nossas escolhas, que nossos pensamentos também são sementes, e novas idéias precisam ser germinadas pela Terra. O que gera evolução é a metamorfose provocado pela mistura, mas os donos da Terra querem homogeneizar tudo! E agora, mais do que nunca, eu entendia que a casca da semente era moldada pelo fogo, ar, terra e água existentes em toda a natureza. E dentro dessa casca já velha ou nova, ainda não sei, existe uma linda flor selvagem, louca para desabrochar! E exalar seu perfume por toda a eternidade...

- Clarice: – Ai Maria Alice, tem coisas que só acontecem com vc!
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Os 144

Os 144

22/09/2001

- Lyon - Como ousa, aquele gato vira lata, tirar do meu sossego, para uma reunião extraordinária na confraria dos felinos?

- Branquellus - É. Parece que a coisa é séria. Teremos mesmo que ir ao Setor.

- Lyon - Ah se aquele fedido me fizer perder tempo...
No Setor 5

- Lyon - Diga Leopardus, pra quê fizeste o chamado?

- Branquellus - Há tempos não temos notícia de você. Que seja algo valioso, pois me tiraste do meu conforto, espero que não esteja envolvido em confusão...

- Leopardus - Meus irmãos felinos! Peço somente alguns minutos e escutem o que tenho a dizer com atenção.

Estava muito confuso com a vida. Como os fatos iam se desenrolando. Nossa relação com os humanos vai de mal a pior. Já não se pode sair a noite para tomar um banho de Lua que facilmente somos filmados. E o pior: nós gatos víviamos brigando uns com os outros para ver quem tem o pêlo melhor?! Se divertindo com os brinquedinhos dos humanos?! E o mais imperdoável: Gatos aceitando usar COLEIRA para viver no sonho dos humanos?!

Eu, um gato vira lata, sempre desprezado por vocês, resolvi andar por aí, para refrescar as idéias... Conheci muitos cães e ratos, e com eles aprendi muito...

- SilaMesa - Você está louco!! Não repita uma heresia dessas! O que você pode ter aprendido com um rato?! Eles vivem no esgoto, só vivem pra comer, comer, e querem comer tudo! E só sabem procriar!

- Prilla - E são horríveis!! E fedem...

- Leopardus - É aí que vocês se enganam. Os ratos vivem em lugares com péssimas condições, em situações limites, dando a eles habilidades que não temos por estarmos acomodados nas poltronas que os humanos nos deram... Ou vocês já se esqueceram que eles TAMBÉM no caçam?!?

- SilaMesa - E com os cães o que aprendeu? Aqueles idiotas que ficam abanando o rabo quando avistam uma bola, ficam babando em cima da gente...

- Leopardus - Eu fiquei sabendo que muitas de vocês gostam de andar com os cães de rua né?! Mas eu entendo o que vocês procuram, pois foi o que eu achei, o diferencial que nós gatos não temos...

- Branquellus - O quê?!? Mais mordomia do que nós?!?

- Leopardus - Mesmo eles sendo atrapalhados e facilmente domesticados, eles têm algo valioso que precisamos e não vejo entre os gatos... COMPANHERISMO.

- Lyon - Que isso?! Só por que nunca te chamamos para caçar a noite você diz isso?!

- SilaMesa - Ele tem razão! Leopardus está certo! Vocês gatos só sabem ficar se lambendo o dia todo! Falam dos cães que não podem ver uma bola, mas adoram uma lã...

- Prilla - Mas nós somos muito mais lindas que as cadelas. Não tem nem comparação. E não ficamos no cio fugindo de vários machos babões até cansar... nós fisgamos o nosso.

- Leopardus - Foi numa dessas noites solitárias perdido na Babilon, que escutei aquele miado... suave. Só de me lembrar já me dói o peito. Consegui achá-la graças a Internet. Uma gata linda! De pedigree! Seus olhos eram lindos. Com ela tive inesquecíveis noites de amor. Não era como os cios ferozes que estava acostumado. Com ela senti a vibração das estrelas, do céu, da terra, todo o universo dentro de mim. Num desses êxtases que pareciam a eternidade tive um sonho:

Sonhei que estava na cidade. Perdido procurando o que comer. De repente já estava fugindo de mendigos famintos querendo me devorar, e do nada no meio da rua num sinal de trânsito quebrado me surge uma coruja...

- Ande Leopardus! O Gato dos Sonhos quer te ver. É urgente! Ele tem um recado do Conselho dos Gatos Anciões.

Passei por estranhas trilhas, com crânios de humanos, misturados com de macacos, abelhas gigantes, mariposas por todo lugar, moscas com 3 olhos! Eu, um gato vira-lata da cidade perdido dentro da Floresta dos Faunos... no meio de uma ponte surge um . Ele era diferente dos que eu já tinha visto. Parecia ter vindo das florestas geladas do Norte...

- Pensei que nunca chegaria! Como você demorou? Gato dos Sonhos o espera.

- Leopardus - Desculpe. Eu me perdi várias vezes no caminho.
- Fauno - Não temos tempo para conversa. Apague o castiçal, entre na caverna. Ele chegará até você...

Sozinho na caverna, confesso, senti muito medo, um frio, não conseguia enxergar nada com a névoa espessa, mas algo dentro de mim me mandava ficar lá, e esperar. Em poucos instantes...

- Gato dos Sonhos - Leopardus, o tempo está acabando. E os gatos não estão sonhando juntos! Estão distraídos e felizes com o sonho dos humanos. Mal sabem eles que os humanos tem planos nebulosos: colocar um chip na cabeça de cada ser vivo da Terra. Para que fiquem eternamente sonhando com eles...

- Leopardus - Cristo! Se eu não ponho nem coleira, que dirá um chip na minha cabeça!!

- Gato dos Sonhos - E o pior, estão criando clones para duplicar a produção de sonhos! Os humanos se tornaram um vírus. Eles querem que tudo se torne parte de um único sonho!
- Leopardus - Temos chance?!

- Gato dos Sonhos - Os gatos Antigos avisam que o tempo do não tempo vem chegando ao fim. Os sinais são claros, e a profecia irá se cumprir. Precisamos não só de 1000 gatos sonhando juntos, se não quisermos ser eternos prisoneiros do sonho humano, precisamos de 144 mil sejam eles gatos, cães e ratos, todos juntos. Sonhando juntos!! Ou perderemos a batalha.

- Leopardus - Tamos ferrados! Se está difícil fazer com que 1000 gatos sonhem juntos, que dirá 144 mil, e ainda por cima, sendo eles cães, gatos e ratos...

- Gatos dos Sonhos - Os anciões deixaram uma mensagem de otimismo. Existe uma data. Uma data mágica. Onde todos os astros estarão alinhados. Nesse dia, se os 144 mil conseguirem sonhar juntos, é possível que se cause uma pane na máquina de sonhos dos humanos. Assim poderemos reprogramar o sistema e finalmente ficarmos livre do pesadelo que se tornou o sonho humano.

- Leopardus - Como era antigamente?!

- Gatos dos Sonhos - Sim. Liberdade Total!

- Leopardus - O paraíso de volta?!?

Acordei todo arrepiado. Contei para a gatinha do meu sonho. Ela achou engraçado. Perguntou se eu era maluco. Infelizmente nunca mais a vi. O sonho que tivera era real por demais para ser esquecido. Miei por todas as cidades que estive, tentando convencer não só gatos, mas os cães e os ratos da urgência da necessidade de sonharmos juntos. Mais fácil era convencer os ratos, porém logo esqueciam do problema que estávamos enfrentando. Afinal, eles tinham que saciar sua fome. Mas difícil mesmo era mostrar a dura realidade para os cães. Eles não se conformavam com a idéia de que a linda casa que moravam, era justamente a grande prisão fabricada pelos humanos. Não conseguiam acreditar em tamanha crueldade...

- CãoBernard - Como podem? Eu vivia abanando meu rabo para eles!! Já salvei vários humanos que estavam entre a vida e a morte... Como puderam fazer isso comigo?!?

- Leopardus - A mensagem era a seguinte: Em algum momento durante a Lua Crescente, todo gato, rato ou cão que acreditasse, deveria parar tudo que estava fazendo, e se lembrar do maior e melhor momento de suas vidas. Lembrar daquele dia feliz, aquela sensação única de liberdade, alegria, os mais belos sentimentos que arrepiassem todo o pêlo! Fariam isso sempre, todos os dias, o máximo que pudessem se lembrar. E durante a Lua Cheia quando o cheiro do acasalamento toma conta, deve-se gemer, gritar para Mãe-Terra realizar o nosso sonho! Já que o mundo era uma ilusão, nosso sonho deveria se tornar realidade! Falei aos cães que não era para acender velas, ou pedir um favor em troca de alguma recompensa a um Deus criado pelos humanos, ninguém vai vir nos salvar. Devíamos pedir com força, em voz de comando, para que as forças da natureza dessem vida ao nosso sonho. Esse ritual como ficou conhecido pelos cães, ou corrente que os ratos prefiram chamar, ou egrégora para nós gatos, só pode ser feito por quem realmente acreditar...

- Branquellus - E você quer que eu participe dessa baboseira?

- SilaMesa - Ui! Pois eu adorei! Em toda noite de lua Cheia miarei com todo amor em seus ouvidos para que ela realize nosso sonho, e traga nosso mundo de volta!

- Lyon - Leopardus, você acha que os cães e ratos terão condições de sonhar como nós?!?

- Leopardus - Eles são mais espertos do que vocês imaginam... Não discriminem ninguém. As aparências só enganam!

- Branquellus - Isso tudo é loucura! Ele tá doidão, querendo chamar atenção...

- SilaMesa - Eu acredito! Sempre que tiver me lambendo, bebendo meu leite quente, fazendo buracos na terra, ou me divertindo nos terrenos baldios da vida, vou me lembrar daquele dia, e vou miar bem alto para Mãe-Terra, que EU QUERO A MINHA CASA DE VOLTA! Ela é minha por direito!

- Leopardus - Precisamos avisar a todos! Com audácia e coragem dos ratos, que conseguem entrar em lugares inimagináveis, e com o companherismo dos cães. Pois muitos ficarão pelo caminho. Serão presas dos humanos, ou deixarão de acreditar, a máquina de sonhos dos humanos é muito perigosa e traiçoeira. Precisamos até dezembro de 2012, 144 mil gatos, cães e ratos dispostos a sonhar, mas com vontade e todos JUNTOS!

- Prilla - Nem sabemos se isso vai funcionar...
- Lyon - É. Mas precisamos tentar.



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Apenas mais um romance policial

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Antes das guerras os tempos já eram difíceis. A crise econômica mundial espalhava medo, miséria em todo o planeta. Famílias inteiras que viviam com todo luxo e conforto de um dia para noite amanheceram morando em tendas nas ruas.

A violência proliferava em cada canto da cidade, um grande sentimento de angústia e desespero abatia o coração de todos.

O governo oprimia e condicionava o povo a níveis nunca vistos antes, numa ditadura sutil, silenciosa e subliminar, deixando claro o rumo das políticas para um futuro sombrio e cada vez mais perigoso.

O inferno e o céu presente a todo instante, o amor e o ódio acessíveis a quem quisesse buscar. A batalha estava clara.

A juventude em sua grande maioria se distraía com as banalidades da televisão, ou abusando do consumo de drogas, sexo e objetos. Se anestesiando diariamente, se suicidando homeopaticamente. Alguns porém optaram canalizar sua rebeldia e insatisfação com as artes. Mas infelizmente, esse movimento foi controlado pelo IV Reich, idiotizando e subvertendo as reações artísticas mais libertadoras para mais um aspecto da vaidade ou um produto em oferta no mercado.

Mas em todos os lugares existem os sobreviventes, e na internet havia um grupo de hackers que traficavam informações de conteúdo mágico anarquista, altamente revelador, deixando de cabelo em pé os mestres dominantes que detinham a Ordem.

Era uma minoria de pessoas que estavam antenadas com essas estranhas idéias, investigadas exaustivamente por pessoas de todo mundo, compartilhando suas descobertas e desvendando quebra cabeças dos antigos mistérios da existência humana, e assim, novas possibilidades eram reveladas.

Óbvio, que os mestres do universo não gostaram nadinha dessa confusão, e criaram um decreto que institucionalizava a censura na internet. Os invisíveis, indignados, partiram para o ataque, criaram zonas autônomas temporais nas cidades, onde aconteciam reuniões com as pessoas dos mais variados lugares, ramos , crenças, para discutir e buscar soluções e maneiras para sobreviverem a Agenda.

Existia um grupo conhecido pelo nome de Setor, dizem que eles se encontravam em algum gueto da Nova Amsterdã.

Eram poucos, criativos e barulhentos, formados por músicos, professores, atores, filósofos, advogados, tinham um plano coordenado em conjunto, juntamente com vários outros grupos em diversos pontos do mundo, de executarem um grande atentado terrorista poético, em escala global, para revelar a grande população os planos da conspiração.

Os encontros aconteciam esporadicamente, ninguém falava sobre o lugar, nem o que era discutido por lá. As pessoas eram convidadas através dos próprios membros, através de um teste de sintonia e afinidades. Uma questão de vibração. Num desses encontros surge no Setor, uma linda jovem morena, de largo sorriso, e bela silhueta. Vinda de uma longa viagem pela Europa. Seus interesses eram por bruxaria e filosofia hermética e dizia a todos que fazia cinema. Logo se surpreendeu com o conteúdo de idéias que eram discutidas ali. Percebeu o quão ilusório eram seus sistemas de valores, descobriu alguns segredos do oculto, e sentiu que existiam mais grades na prisão do que ela poderia imaginar. Resolveu participar mais das atividades, inclusive tendo uma paixão arrebatadora por Lord, O Belo. Jovem descendente da realeza inglesa, que abandonou seu reinado para fazer música de verdade pelo mundo . Foi ele quem convidou a participar das reuniões secretas.

Durante os preparativos para o grande ato terrorista, não se sabe até hoje como aconteceu, se foi por descuido, ou traição, sentinelas do governo oculto interceptaram sinais de comunicação entre as células dos invisíveis, descobrindo então, todos seus planos e a localização do esconderijo.
Os invisíveis do Setor, tiveram que fugir, fizeram isso, um dia antes da batida policial. Se dispersaram pela City, e um grande silêncio foi feito por parte dos integrantes.

Dímas, assim ficou conhecido, pois ele mudava de codinome a cada instante, era um dos sub comandantes da célula do Setor, que reconhecia o fracasso, mas não aceitava a desistência do ataque. Ele acreditava na reorganização das células, sabia que era um ato quase suicida e utópico, e faria de tudo para tentar novamente realizar o atentado terrorista poético.

Num desses encontros casuais, Dímas esbarrara com Cigana, assim ficou conhecida a misteriosa morena que aparecera no Setor antes dele acabar. Trocaram olhares, reconheceram-se e marcaram de conversar numa cachoeira, um lugar seguro das lentes dos satélites, permitindo diálogo mais privado.

Cigana contara a Dímas que era filha de pais ricos, donos de uma empresa de lixo, que fazia a coleta de toda a cidade. Um negócio lucrativo, onde a matéria prima nunca acaba. E que por isso, reconhecia que vivera muito tempo da ilusão da matéria e nos prazeres do luxo. E que depois de ter conhecido uma nova perspectiva da realidade, queria profundamente mudar e tentar fazer alguma coisa para impedir a implementação da Nova Ordem. Como vinha de família rica, estava disposta a usar todo seu dinheiro para ajudar na causa. E contava com Dímas, para a construção de um novo Setor. O atentado terrorista poético precisava acontecer. Nem tanto pelo efeito da bomba, mas pelo ato simbólico de dizer que os invisíveis não tinham se entregado.

Cigana achou um lugar perfeito, conseguiu laptops, rede wireless, com vpn em servidor autenticado, toda a estrutura necessária para recriação do novo Setor. E numa noite de lua Cheia, Dímas e Cigana, depois de um longo dia de trabalho, permitiram que seus corpos se entregassem numa linda e intensa noite de volúpia e prazer.

No dia seguinte, Dímas era preso ao acordar, com um mandato de prisão conseguido através de uma falsa conversa num chat de internet, que afirmava um plano de vendas de drogas no local. Fora acusado de tráfico de entorpecentes, que por sinal, fora encontrado na casa, implantando pelos próprios policiais, além de aliciamento de menores, até então, ninguém sabia que Cigana era menor de idade, além de formação de quadrilha e posse de material subversivo ilegal contra a ordem e o progresso. Autora da acusação: A mãe de Cigana; Resultado: Dímas condenado a 40 anos de reclusão.

Pessoas próximas da mãe de Cigana alegaram que ela era uma pessoa muito depressiva, materialista e controladora e que vivia dopada por calmantes. E percebendo o comportamento rebelde de sua filha, resolveu achar um culpado por toda aquela mudança de postura, não queria ver sua herdeira se envolvendo com um marginal terrorista e o pior... que não trabalhava, vivia de poesia. Queria afastar esse mal elemento da sua filha, dar-lhe uma lição nela e todos que quisessem chegar perto de seu bibelô, e ainda colocá-la num colégio interno na Suíça, para que ela cursasse faculdade de Administração e assumisse seu lugar nos negócios da família num futuro próximo.

Algumas pessoas cruzam os braços e não aceitam essa versão. Dizem que a mulher era membro da Irmandade, e através da sua filha conseguiu prender Dímas, que já estava sendo procurado há tempos.

Há quem diga que Cigana largou tudo e hoje vive com os selvagens. Dizem que ela poderia também estar envolvida no dia em que a comunicação dos invisíveis foi interceptada. Lord, o Belo, completamente seduzido pela tal morena, havia feito compras em seu cartão de crédito, permitindo assim que os sentinelas os achassem. Afirmam também que depois da prisão de Dímas, ela se arrependeu e fugiu. Ninguém confirma esses boatos.

Na prisão, Dímas deu sorte, caiu numa cela, em que alguns prisioneiros eram também invisíveis, ciberxamãs, presos por "crimes na rede". Ensinaram a ele, um poderoso chá com uma mistura sagrada de ervas, e com o uso de um pen drive, era possível através de um ritual na lua Nova, retirar o chip, que seria colocado a força nas pessoas quando fosse oficializado o Governo Mundial.

Enquanto esteve preso, estudou sobre direito, administração, economia, e quando houve a Grande Catástrofe, o mundo num grande caos, no presídio, a confusão mundial facilitou aos presos realizarem uma grande rebelião. Aproveitando do distúrbio, Dímas conseguiu fugir, levando consigo a pulseira de identificação de um policial morto no confronto com os presos.
Com essa pulseira e ajuda de um amigo advogado, um invisível dos tempos de Setor, Dímas tirou novos documentos, ficando com uma nova identidade. Agora conhecido como Gabriel Vásquez, fora recomeçar sua vida indo assim procurar um emprego. No período de reconstrução do Admirável Mundo Novo, pós catástrofe, só era possível conseguir trabalho com limpeza, segurança, ou ser operário em grande obra. Dímas, ou Gabriel conseguira ser admitido na maior empresa de coleta de lixos do bloco Sul: Limpeza & Estética. Sua função: servente de serviços gerais, um simples varredor de chão. Em 6 meses de muito esforço e disciplina já era supervisor da área de limpeza urbana e numa tentativa de seqüestro de rebeldes selvagens da zona oeste, Gabriel Vásquez salvou a vida da dona da empresa em que trabalhava. Nesse instante, ao saltar por cima dela durante o tiroteio, Gabriel cruza o seu olhar com sua patroa, e com o todo o ódio contido, acabara de salvar a vida da mulher que o prendera injustamente por 9 anos e com isso, destruído todos os seus planos.

Terminada a confusão, Gabriel Vásquez era promovido a chefe de segurança de toda a empresa. Tendo todas as chaves dos portões da City e preciosas informações de segurança.
Durante mais uma recessão econômica, o mercado global tornara-se instável, e numa eficiente jogada de investimentos na bolsa de valores, fez com que Gabriel Vásquez passasse a ser o dono majoritário da empresa Limpeza & Estética, deixando assim a mãe da Cigana, até então dona e milionária, em completa miséria. E num ato de compaixão ou ironia, Gabriel convida a mulher que outrora o condenou inocentemente a 9 anos de prisão, a ser sua empregada doméstica, oferecendo inclusive um quartinho para ela morar. Era isso ou morrer de fome pelas ruas da City. Óbvio que ela aceitou. Sem nunca saber o passado que tivera com seu novo patrão.
Gabriel Vásquez, aparece hoje em capa de revistas, como um dos empresários mais bem sucedidos entre os civilizados. E graças aos caminhões de lixo da Limpeza & Estética, que os selvagens recebem armas, remédios, mantimentos e comidas. Por enquanto os sentinelas não perceberam nada. E a guerra contra a resistência vai ficando cada vez mais intensa. Antigamente eles usavam um carro chamado de "caveirão", agora nos atacam com robôs com inteligência artificial, chamados de...

JORNAL NOVA ERA:
Zumbis acertam 11 selvagens na Zona Sul.


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